terça-feira, 29 de junho de 2010

Verbas vão por água abaixo

Parecer do Comitê do Itajaí cancela recursos para margem esquerda

BLUMENAU - Após comemorar a assinatura do convênio que liberaria R$ 9 milhões para as obras de reurbanização da margem esquerda do Rio Itajaí-Açu, a prefeitura terá de buscar novos recursos para financiar o projeto. Um parecer negativo do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, alertando para os impactos ambientais das obras no rio, fez com que o Ministério das Cidades voltasse atrás e cancelasse o envio das verbas. A Secretaria de Planejamento Urbano se reunirá nos próximos dias com o prefeito João Paulo Kleinübing para pensar em alternativas.

A decisão de cancelar o custeio para o projeto da margem esquerda, que pleiteava recursos do PAC Drenagem, foi tomada dia 22. A intenção da prefeitura era recuperar a encosta composta de lodo, areia e raízes que não sustentam mais o terreno. Todo esse material seria retirado e a margem, refeita. Além disso, o município pretendia reaterrar a margem para construir uma ciclovia.

O Comitê do Itajaí entende que o projeto afeta o princípio de preservar e defender os rios contra eventos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais. A análise foi fundamentada no Plano Integrado de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais na Bacia do Itajaí, elaborado após o desastre de novembro de 2008.

O secretário municipal de Obras, Alexandre Linhares Brollo, critica a análise, afirmando que, sem o prosseguimento do projeto, as construções erguidas à margem do Rio Itajaí-Açu correm riscos:

– Temos todas as licenças ambientais para realizar a obra. Agora, veio esse parecer arbitrário do Comitê. Estamos na eminência de novos deslizamentos naquele local.

A secretária executiva do Comitê do Itajaí, Beate Frank, defende que, mesmo com o risco de deslizamentos, a preservação do rio precisa ser levada em conta:

– Existe uma faixa entre a água e o solo que é tratada muito mal por Blumenau. Não podemos deixar de preservá-la em função de obras privadas. O projeto afeta diretamente o rio e somos contra porque já foi mexido na margem direita.

Comitê do Itajaí defende que obras de reurbanização causariam prejuízos ambientais ao Rio Itajaí-Açu. Prefeitura diz que parecer de entidade foi “arbitrário”8487258 Projeto contemplava trecho entre Prainha e Ponte de Ferro8487259

Comitê propôs construção de Parque Linear

Diante do parecer desfavorável, o Ministério Público Federal consultou o Comitê do Itajaí sobre qual seria a alternativa correta para a margem esquerda.

Em conjunto com o promotor Ricardo Donini, se chegou à ideia da construção de um Parque Linear. Pela proposta, a margem esquerda do rio, a partir da Prainha, seria transformada em um parque. Os moradores seriam indenizados diante da eventual necessidade de deixar o local.

A sugestão, porém, não foi aceita pelo município. O secretário de Obras, Alexandre Brollo, garante que a proposta não era viável e, por isso, o município insistiu na manutenção do projeto original.

Jornal de Santa Catarina – Reportagem: RAQUEL VIEIRA

OPINIÃO: As lições da margem esquerda

Lauro Eduardo Bacca, biólogo, ecologista e colunista do Santa

A proposta de proteção da margem esquerda começou errada desde o início. Havia concreto demais e embasamento ambiental de menos. A esmola ao verde estava contemplada num monótono alinhamento de palmeiras plantadas com estéril rigor simétrico lá embaixo, praticamente no nível normal do rio. Parecia projeto retirado de uma empoeirada gaveta, onde dormia desde 1950.

Houve o alerta no Conselho Municipal do Meio Ambiente de que a obra deveria contemplar os aspectos ecológicos e ambientais. Continuaram insistindo de que o concreto da margem direita deveria se espelhar na outra margem, como se toda a exuberante vegetação dali nada significasse. Deu no que deu.

Moral da história: em pleno século 21, burocratas governamentais e alguns profissionais da engenharia civil e afins precisam urgente de uma reciclagem em Ecologia e Meio Ambiente, se não quiserem ficar parados num tempo que não existe mais.

Jornal de Santa Catarina

Um comentário:

Marcos disse...

A única coisa que interessa a esses burrocratas governamentais é o verde que está estampado nas notas de cem