quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Delegacias de Santa Catarina têm 900 presos em situação irregular

Presença de detentos nesses locais é ilegal, diz presidente de comissão da OAB

A manutenção de presos em delegacias de Santa Catarina é motivo de reclamação de policiais civis. O Departamento de Administração Penal (Deap) informou que hoje existem cerca de 900 criminosos em situação irregular.

O problema é maior na Grande Florianópolis, seguido pelo Vale do Itajaí. O delegado geral da Polícia Civil, Ademir Serafim, declarou que a situação causa prejuízos à corporação, pois os investigadores deixam o trabalho de lado para cuidar de detentos. Ele ressaltou que é prioridade do governo estadual resolver a questão, e isso deve ocorrer até o final do ano.

O diretor do Deap, Adércio Velter, explicou que uma Central de Triagem com 220 vagas em Florianópolis e um presídio para 515 presos em Itajaí estão em construção. Ele acredita que as obras não acabarão com o problema, mas devem desafogar boa parte das delegacias.

O presidente da Comissão de Assuntos Prisionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), João Moacir Andrade, reforçou que a presença de detentos nestes locais é ilegal. Ele disse que todos saem perdendo com a situação.

Os policiais têm o trabalho prejudicado porque passam a fazer o papel de carcereiro. João Moacir alegou que, mesmo que haja um agente prisional, o entra e sai de presos, as visitas e revistas tomam tempo dos investigadores. O presidente da comissão da OAB afirmou ainda que os presos têm a defesa prejudicada, porque não podem conversar com os advogados e receber as orientações.

Fuga em Central de Polícia motivou discussões

A escala de trabalho estabelece que durante 24 horas por dia um agente prisional deve vigiar as celas da Central de Polícia de Florianópolis, de onde seis criminosos fugiram na noite de quarta-feira. Os funcionários são destacados pelo Deap, que abriu uma sindicância para apurar o que aconteceu.

O diretor da instituição afirmou que o agente prisional deveria estar no local e garantiu que, se for constatada alguma falha, os responsáveis serão penalizados.

Questionado sobre o tempo necessário para serrar a barra de metal da cela, disse que não pode estimar. Mas funcionários de unidades prisionais que não quiseram se identificar explicaram que são necessárias horas de serviço.

Jornal de Santa Catarina - Felipe Pereira

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